Leitores de literatura têm um dilema interessante sobre o tema Dopamina. Quando você decide por um romance a ler, vai passar, sei lá, de 10 a 30 dias com ele. Nesse período, receberá a tentação de ler uns 100 títulos diferentes e viverá a ansiedade de se livrar do romance em curso e decidir pelo próximo da lista.
Outra situação que considero angustiante para mim é visitar livrarias. Ao me deparar com aquela monstruosidade de títulos em prateleiras asfixiantes eu me desanimo - ou me desespero. Entre todas as opções, há um ou dois livros que ainda não li, que não conheço o autor, que seria transformador, mas que provavelmente nunca chegará à minha mão.
Evito livrarias, ainda mais porque, sendo autor, imagino meus próprios livros amarrotados nessas mesmas prateleiras - ou o mais provável: nem presentes. E o leitor que seria transformado ao ler meus livros jamais saberá que eu existo. Sigo, porém, lendo. Sigo, porém, escrevendo. Não lerei tudo o que eu deveria. Não escreverei tudo que eu deveria. Mas estou aqui, após um texto a menos a escrever. Beijinho.
"Entre todas as opções, há um ou dois livros que ainda não li(...)". É sério isso? Olha, então devo dizer que meu desespero é maior, hahaha.
Diferente de ti, eu não evito livrarias, adoro olhar os títulos na verdade, e aceito o jogo.
Mas entendo o sentimento. Tenho uma amiga que tinha o sonho de ser escritora. Trabalhou como livreira e, de ver todos aqueles livros chegando e desaparecendo a cada mês, se desencantou totalmente com o ofício da escrita.
Putz, acho que me expressei mal. O que eu quis dizer é que há 1 ou 2 livros dentro dos milhões que eu não li, que não conheço o autor - que provavelmente eu nunca lerei -, mas que se eu lesse seria transformador.
adorei conhecer as moléculas do aqui e agora! tem uma crônica em que Clarice Lispector fala sobre o ato de escrever como a presença distraída de um pescador, que tem palavras como isca para encontrar sentimentos ainda sem nome. sei que ela estava falando sobre escrita, mas desde que li fiquei com esse "presença distraída" na cabeça como uma forma de viver. como as moléculas do aqui e agora :)
Feliz de estar numa fase da vida das moléculas do aqui e agora! "Em resumo, são as que fazem a gente curtir as coisas que temos, e não ficar constantemente desejando o que não está em nosso alcance" - recomendo! Obrigada pelo texto, Carol!
amei! "O segredo, me parece, é não tratá-las como algo que está posto, mas sempre conservar algum encantamento com o que está se desenrolando no agora"
Adorei o texto Carol, pois é também para mim um tema de atenção ultimamente, e porque bateu com outro texto que acabei de ler, do Contador Calligaris, para quem "O segredo de uma vida que valha a pena consiste em viver o cotidiano como uma aventura". Penso que os excessos causados pela hiperconexão, dentre os quais os excessos de múltiplas escolhas, tem nos afastados dessa aventura do cotidiano, como por exemplo saborear um café, e nos feito cada vez mais despossuídos de nós mesmos, mentes sem corpos, e corpos ausentes de si.
a ironia é que eu larguei o livro pra ler a nevoeiro quando chegou a notificação no celular (dopamina do bem?).
hahahaha, muito bom.
Leitores de literatura têm um dilema interessante sobre o tema Dopamina. Quando você decide por um romance a ler, vai passar, sei lá, de 10 a 30 dias com ele. Nesse período, receberá a tentação de ler uns 100 títulos diferentes e viverá a ansiedade de se livrar do romance em curso e decidir pelo próximo da lista.
Outra situação que considero angustiante para mim é visitar livrarias. Ao me deparar com aquela monstruosidade de títulos em prateleiras asfixiantes eu me desanimo - ou me desespero. Entre todas as opções, há um ou dois livros que ainda não li, que não conheço o autor, que seria transformador, mas que provavelmente nunca chegará à minha mão.
Evito livrarias, ainda mais porque, sendo autor, imagino meus próprios livros amarrotados nessas mesmas prateleiras - ou o mais provável: nem presentes. E o leitor que seria transformado ao ler meus livros jamais saberá que eu existo. Sigo, porém, lendo. Sigo, porém, escrevendo. Não lerei tudo o que eu deveria. Não escreverei tudo que eu deveria. Mas estou aqui, após um texto a menos a escrever. Beijinho.
"Entre todas as opções, há um ou dois livros que ainda não li(...)". É sério isso? Olha, então devo dizer que meu desespero é maior, hahaha.
Diferente de ti, eu não evito livrarias, adoro olhar os títulos na verdade, e aceito o jogo.
Mas entendo o sentimento. Tenho uma amiga que tinha o sonho de ser escritora. Trabalhou como livreira e, de ver todos aqueles livros chegando e desaparecendo a cada mês, se desencantou totalmente com o ofício da escrita.
Putz, acho que me expressei mal. O que eu quis dizer é que há 1 ou 2 livros dentro dos milhões que eu não li, que não conheço o autor - que provavelmente eu nunca lerei -, mas que se eu lesse seria transformador.
adorei conhecer as moléculas do aqui e agora! tem uma crônica em que Clarice Lispector fala sobre o ato de escrever como a presença distraída de um pescador, que tem palavras como isca para encontrar sentimentos ainda sem nome. sei que ela estava falando sobre escrita, mas desde que li fiquei com esse "presença distraída" na cabeça como uma forma de viver. como as moléculas do aqui e agora :)
Linda referência!
Feliz de estar numa fase da vida das moléculas do aqui e agora! "Em resumo, são as que fazem a gente curtir as coisas que temos, e não ficar constantemente desejando o que não está em nosso alcance" - recomendo! Obrigada pelo texto, Carol!
Obrigada, Deise!
O app freedom tem me salvado das redes. É muito eficiente.
Usei por um tempo, é bom mesmo.
amei! "O segredo, me parece, é não tratá-las como algo que está posto, mas sempre conservar algum encantamento com o que está se desenrolando no agora"
Os dois pilares desse edifício dopamínico são o botão “curtir” e o cartão de crédito.
hahahahah
Um amplificador valvulado, discos de vinil e caixas da Klipsch. Todo meu respeito
Esse lugar é mágico!
Adorei o texto Carol, pois é também para mim um tema de atenção ultimamente, e porque bateu com outro texto que acabei de ler, do Contador Calligaris, para quem "O segredo de uma vida que valha a pena consiste em viver o cotidiano como uma aventura". Penso que os excessos causados pela hiperconexão, dentre os quais os excessos de múltiplas escolhas, tem nos afastados dessa aventura do cotidiano, como por exemplo saborear um café, e nos feito cada vez mais despossuídos de nós mesmos, mentes sem corpos, e corpos ausentes de si.
Valeu Carol
Bela referência, Zé, obrigada por compartilhar.
Tema fundamental para a gente conversar e debater.
Excelente o texto e o tema. Parabéns!!!
Obrigada, Aldina!