Nevoeiro

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O sublime inútil

A praga do utilitarismo; escancarando os artifícios; um comentário sobre Extinção, de Maria Reva

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Carol Bensimon
Jun 05, 2026
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Essa é uma edição exclusiva para assinantes pagos. Logo mais você vai encontrar um antipático Paywall. Perdão, mas os artistas precisam manter a lojinha! Talvez seja uma boa oportunidade para você se juntar ao Clube Nevoeiro, que esse ano está alternando contos e romances.

1.

O casal Christo e Jeanne-Claude gosta de fazer coisas enormes, como o “Air Package on a Ceiling”, uma obra de arte conceitual concebida em 1968, mas montada apenas agora devido a entraves técnicos; é basicamente um pedaço de plástico gigante suspenso no teto e atravessado por cordas, que fazem com que o plástico se encha de ar e se dobre. Christo e Jeanne-Claude nunca quiseram dizer nada com isso. As interpretações são sempre dos outros.

Jeanne-Claude morreu em 2009 e Christo em 2020, um ano depois de ter envelopado o Arco do Triunfo, um projeto de 1961 que foi visto como “um símbolo de união pós-COVID”.

Vladimir Yavachev é sobrinho do artista nascido na Bulgária e hoje cuida do legado do tio. “O poder, o motivo de serem tão fortes, se deve ao fato de serem obras de arte e de serem inúteis”, disse ele a New Yorker. “Ninguém precisa delas. E essa inutilidade das coisas é o que nos faz humanos.”

2.

Mas hoje ninguém quer o inútil. Tascam significados, explicações coerentes, motivos para fazer e para consumir arte: entender o mundo, entender meu país, entender minhas questões internas, postar nas redes, afirmar identidades, ser aceito na bolha.

3.

E as histórias que eram sublimes apenas porque eram boas histórias?

4.

Tenho escorregado com frequência nessas armadilhas contemporâneas.

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